Programa 6 – Aplicações Mobile e Gestão de Projectos – Pedro Varela

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Depois de uma paragem para “férias” voltamos para o sexto episódio e falamos com o Pedro Varela sobre desenvolvimento de aplicações mobile e gestão de projectos.

O Pedro trabalha na Bliss Applications, uma empresa dedicada ao desenvolvimento de soluções de mobilidade, onde faz o papel de gestor de projectos e direção de clientes.

O papel de Gestor de Projetos

Sendo este um dos papeis desempenhados pelo Pedro na Bliss Aplications, questionamos como funciona esta função.

Segundo o Pedro, o gestor de projetos é responsável pelo planeamento dos recursos disponíveis na empresa, design e programação, com vista à entrega do produto final dentro do timing programado. Passa também pela definição de requisitos das soluções a desenvolver, pelo escalar das tarefas semanais e toda a responsabilidade de testes e comunicação com os clientes. Este papel é efectuado simultaneamente para vários clientes e projectos.

A Equipa da Bliss Applications

O Pedro falou-nos da equipa da Bliss, neste momento 20 colaboradores em Portugal e mais uma pessoa no Brasil, sendo deles 13 programadores e 3 designers.

Esta equipa divide-se entre os projectos, podendo uma equipa afecta a um projecto ter de 1 a 7 developers dedicados, mediante a necessidade de cada projecto.

Para a gestão da equipa o Pedro utiliza diversas ferramentas, para planear os recursos neste momento estão a utilizar uma ferramenta online, inbook,  para o planeamento das tarefas de programação utilizam o Pivotal e para a comunicação entre os membros da equipa estão a utilizar o Slack, que tem agilizado bastante a comunicação entre os elementos da equipa.

Pessoalmente o Pedro gosta de utilizar as habituais ferramentas de edição de dados, como o excel ou o omniplan, mediante as necessidades do planemaneto de cada projeto ou o Wunderlist para a sua organização diária.

O Planeamento Inicial de um Projeto

Questionado pelo Vitor se a realidade no decorrer do projeto está de acordo com o planeamento efectuado, o Pedro Varela indicou-nos que habitualmente quando estamos a efectuar o planeamento dos projetos e recursos consideramos o ambiente “óptimo” o que por vezes leva que a existam alterações no planeamento inicial.

Da experiência do Pedro existem diversas razões para as alterações no planeamento inicial, sendo uma das principais o cliente e as expectativas do mesmo face ao produto final que pretende. O cliente foca-se principalmente  em 2 fatores, custo e tempo de desenvolvimento, pretendendo muitas vezes que seja entregue o “orçamento” inicial em tempo recorde, não permitindo o detalhar “fino” de todas as características do projeto.

Quando a equipa inicia o desenvolvimento da solução chega muitas vezes à conclusão que existem necessidades extra e pequenas alterações necessárias à proposta inicial, essas alterações são transmitidas ao cliente e segundo o Pedro são habitualmente compreendidas pelo cliente, apesar de não pretender alterações ao prazo ou valor envolvido no projeto.

Em suma as coisas nem sempre correm como é planeado, mas habitualmente não “fogem” muito aos tempos planeados, que habitualmente já têm alguma margem incluída.

Os Projetos desenvolvidos pela Bliss

O Pedro Varela indicou-nos que a Bliss desenvolve soluções de mobilidade e podemos dividir as mesmas em 3 categorias:

  • Soluções B2C – Soluções de marketing ou cominicação, criar um loja e colocar como aplicação no Google Play
  • Soluções B2B – Soluções de mobilidade para apoio às vendas, por exemplo
  • Aplicações Próprias – Em que geram a ideia, desenham e implementam a mesma, este foi o mercado inicial da Bliss mas com o tempo a tendência foi para trabalhar mais para clientes

Em termos de complexidade, têm projetos com duração de semanas até vários meses, não têm constrangimento de projetos de complexidade miníma para desenvolverem.

 O ambiente da Bliss face ao ambiente tradicional de uma empresa de desenvolvimento de software

Tendo em conta a experência do Pedro em trabalhar em software houses, questionamos quais a principais diferenças no ambiente de trabalho.

Para o Pedro existe sempre a habitual questão, de que lado está o “gestor do projeto”, do lado do cliente ou do lado da equipa. Sendo esta a posição ocupada pelo próprio e tendo estado do outro lado o Pedro indicou-nos que compreende esta questão, o ambiente é também mais de “agência” do que “software house” não existindo um definir tão rígido do projeto e planeamento inicial e é também um ambiente mais descontraído, mas não afecta a produtividade negativamente, até pelo contrário.

Questionamos também o Pedro sobre o motivo de terem abandonado o desenvolvimento de aplicações como “produto”, o Pedro indicou-nos que o mercado evoluiu e as pessoas começaram a perceber que o mobile era essencial para o seu negócio em algum momento da sua vida, esta evolução e a demanda cada vez maior dos serviços da Bliss, levou ao “deixar” do produto, no entanto, o voltar ao desenvolvimento de aplicações próprias é um caminho que a Bliss irá seguir no futuro.

O Processo de desenvolvimento

Na Bliss Applications o desenvolvimento de aplicações é efetuado utilizando frameworks próprias e desenvolvidas a partir de conhecimento adquirido anteriormente,  o que é uma das mais valias da Bliss, que já se encontra há 5 anos no mercado nacional e internacional.  O Pedro indicou-nos também que cerca de 96% das aplicações desenvolvidas são nativas, mas também poderão ser desenvolvidas como “web apps” no caso do cliente assim o pretender.

O  desenvolvimento nativo iOS vs Android vs Windows

Perguntamos qual é a plataforma para a qual efetuam o desenvolvimento das aplicações, o Pedro indicou-nos que inicialmente a maioria das aplicações era desenvolvida para iOS, iphones e ipads, mas com o evoluir da tecnologia passou a existir habitualmente a necessidade do desenvolvimento para ambas as plataformas, sendo que existem caso específicos em que desenvolvem apenas para Android ou para iPhone, mediante as necessidades do cliente. O Windows phone, tem começado a entrar nesta “guerra” mas ainda são muito poucos os clientes que pretende as aplicações desenvolvidas para esta plataforma.

Falamos também sobre a relevância atual do Windows Phone, para o Pedro este sistema chegou tarde, o domínio atual do android e o seu leque enorme de terminais e a posição segura do iPhone no mercado premium, geram uma barreira difícil de ultrapassar para este sistema operativo que de momento representa 2.5% das vendas mensais de equipamentos em Portugal.

Quanto ao sistema em si, para o Pedro, o mesmo está a evoluir de uma forma muito positiva e interessante, o que é do seu agrado.Quanto às aplicações disponíveis, aí o Windows Phone ainda tem um longo caminho a percorrer pois existe ainda uma diferença muito grande entre cada um dos markets.

O Pedro Varela indicou-nos que o grande trunfo poderá estar no mercado empresarial e na existência das aplicações já habitualmente utilizadas nos PCs e portáteis, para os equipamentos com Windows Phone, como o exchange, drive, excel, etc.

As diferenças de uma aplicação entre as diversas plataformas

O Pedro indicou-nos que ao desenvolverem aplicações nativas para iOS e android, sistemas com comportamento e resoluções distintas, necessitam de definir à partidas  quais os equipamentos compatíveis e a aplicação é pensada de acordo com a especificidade de cada sistema. Dependendo  do “orçamento” do cliente a aplicação pode ser desenhada de forma mais específica para os diversos tamanhos.

Em relação ao desenvolvimento o cliente é informado de quais os recursos que existem e que a solução terá de ser ligeiramente diferente, dependendo do equipamento que está a ser utilizado, no entanto, a concepção criativa e parte do desenvolvimento da aplicação e aproveitada entre os dois sistemas.

Os Testes  das Aplicações

Na Bliss dispõe de todos os iPhones, assim como uma vasta gama de equipamentos android de diversas marcas para poderem efectuar os testes às aplicações.  Além dos equipamentos utilizam ferramentas de análise que permitem efectuar o  despiste de bugs que ocorrem na aplicações.

No caso do android, por vezes verificam-se problemas em equipamentos desconhecidos e com menor quota de mercado e nesses casos podem ir ao ponto de fazer debug no equipamento em causa.

O Mercado Português de  Aplicações Mobile

Questionado sobre o mercado nacional para aplicações mobile, o Pedro indica-nos que o mercado está a evoluir e existem já muitas empresas a oferecer serviços na área mesmo sem ser esse o seu “core business”.  O mercado nacional ainda  é um mercado pequeno e quando pretendes que a tua aplicação tenha milhares de downloads tens obrigatóriamente de sair para outros mercados.

Dentro de mercado nacional, o Pedro acha que ainda existe muito por onde evoluir e as empresas compreendem que vão ter de ter algo dentro do negócio da mobilidade, a capacidade de  investimento poderá aparecer mediante o canalizar dos investimentos de outras áreas para esta.

O retalho, lojas e área comercial, são as que atualmente já identificaram esta necessidade e estão a investir em soluções de mobilidade, no entanto para garantir um mercado suficientemente grande é necessário sair do nosso país.

O Google Glass

Sabendo que a Bliss adquiriu um dispositivo “Google Glass” perguntamos ao Pedro sobre a sua experiência com o equipamento, para o Pedro as dificuldades começaram por usar óculos, o que não permite a utilização do equipamento correctamente, indicou-nos também que o equipamento encontra-se parado e sem estar a ser utilizado. A margem de crescimento para a tecnologia é grande e interessante, no entanto a utilização atual é apenas para o “show-off” e pouco mais.

Os wearables

Para o Pedro os wearables já são uma presença garantida no mercado e já estão num ponto de desenvolvimento bastante interessante, seja como o habitual relógio ou como os equipamentos para utilização na área de saúde que já estão em desenvolvimento, esta nova tecnologia vai gerar uma “guerra” muito interessante e quantos mais existirem, melhor.

Perguntas Rápidas:

  • Expectativas para os próximos 12 meses a nível de web e mobile?

    • A grande expectativa para o Pedro é o lançamento do iOS8 e Android L e as novidades que vão trazer. O Chrome Cast é interessante, mas o Pedro gostava de ver uma maior evolução na Apple TV em resposta à Kindle TV e a invasão das “salas” pelos dispositivos móveis.
  • Qual a app mobile que não dispensarias?

  • Um podcast fundamental?

    • O Pedro indicou-nos que não tem sido um consumidor regular  de Podcasts

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