Programa 7 – A educação em webdesign – Tiago Pedras

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Para o sétimo episódio falamos com o Tiago Pedras sobre webdesign em Portugal e a forma como está a ser “ensinado” nas universidades do país.

O Tiago é Director da área digital na Surreal, uma empresa dedicada ao desenvolvimento de marcas e estratégias de comunicação e coordenador da pós-graduação em webdesign na ESAD.

O percurso na web

O Tiago começou a trabalhar na web em 2003, quando entrou para a ESAD no curso de Multimédia e foi convidado no quarto ano para dar aulas de webdesign ao mesmo tempo que era aluno no curso de multimédia.

Em 2007 o Tiago começou a trabalhar profissionalmente, inicialmente num pequeno estúdio a TPWD, Tiago Pedras Webdesign e atualmente representa a Surreal, uma empresa britânica, em Portugal.

A Educação Formal em Webdesign

Questionamos o Tiago sobre o estado da educação formal em Webdesign no nosso país e qual a sua opinião sobre os cursos existentes.

O Tiago indicou-nos que existem cursos de “webdesign” e que existe formação, mas a abordagem é muitas vezes demasiado técnicista e outras vezes demasiado tradicionalista. Para ele existem muitas parecenças entre um designer gráfico e um webdesigner, no entanto o meio em que têm que funcionar é muito diferente  e a “qualidade” do profissional não tem directamente a ver com as suas bases em design.

Indicou-nos também que a maior parte dos cursos existentes pendem mais para o lado técnicista, ensinar as ferramentas existentes, em que são ensinadas as técnicas, mas são desprovidas de contexto e objectivos. Isto origina a falta de conhecimento de todos os lados da equação e de todas as barreiras que existem num projecto, como o lidar com um cliente e as expectativas dos mesmos face ao que lhes será apresentado.

Para o Tiago esta tendência simplista de educação para a web não é a forma mais correcta de abordar as necessidades existentes no mercado.

O que  precisa um Designer para se tornar um bom Webdesigner

Contando com a sua experiência na pós-graduação, o Tiago  indicou-nos que os designers gráficos trazem uma série de vícios e limitações da sua formação, como as tipografias, tamanhos de papel e cores pre-definidas e o controlo total sobre a sua criação.

Quando passam para a web acontece o choque com o desaparecimento de algum desse controlo,  os canvas diferentes, o tamanho do ecran, as cores e os contrastes, assim como o “responsive web design” e até os contextos de uso com os diversos tipos de equipamento que podem ser utilizados. Tudo isto origina uma série de novas exigências para o designer e a forma como ele vai ter de desenvolver o seu trabalho, sendo que este tipo de limitações não é tido em conta numa formação mais tecnicista.

Para o Tiago para se ser um bom webdesigner é necessário querer saber mais constantemente, não ter medo de aprender e evoluir os seus conhecimentos diariamente, sendo estes os factores necessários para ser um bom profissional na área.

Desenvolvimento vs design na educação

Questionamos ao Tiago até onde é que podemos ir na educação sem misturar a formação em “webdesign” e “webdevelopment”.

O Tiago indicou-nos que esta é uma barreira muito sensível e que ele próprio a tenta criar para evitar a necessidade das pessoas acharem que têm de saber tudo, ficarem frustradas por falta de conhecimento ou pensarem que são especialistas de uma área, quando não o são.

No entanto o Tiago acha que esta barreira tem tendência a desaparecer, vê as pessoas da área como pessoas com um determinado “set” de capacidades e que depois se assumem como developers ou designers, mas inevitavelmente têm de ter conhecimentos em ambas as áreas, assim como uma série de outros conhecimentos necessários para o desenvolvimento web.

A procura de webdesigners no mercado atual

Para o Tiago hoje em dia exista uma imensa necessidade de profissionais na área web e não existem alunos suficientes para tantas vagas e tantos cargos disponíveis de momento.

Curiosamente, o Tiago contou-nos que desde o início da pós-graduação, existe alguma dificuldade em existirem alunos suficientes para preencherem as turmas do curso.

Para o Tiago esta situação não faz sentido, acrescentando que cerca de 40% dos pedidos para estágios e trabalho que entram na ESAD são para web.

Na passagem para o mercado de trabalho existe também alguma relutância, mesmo nos alunos da pós-graduação, onde existem casos em que as pessoas não se sentem preparadas para entrar de imediato no mercado de trabalho, o que muitas vezes é um “medo” não real porque é em ambiente de trabalho que se aprende a maior parte dos conhecimentos, algo que já foi por diversas vezes comprovado pelos seus alunos anteriores.

Falando do tipo de projectos associados a esta necessidade do mercado, o Tiago indica-nos que existem pedidos de todo o tipo, desde o desenho de interfaces, aos frontend developers e até aos chamados “unicórnios”, pessoas que façam tudo e mais alguma coisa com muita qualidade e com muitos anos de experiência.

Em termos de contexto empresarial, os pedidos vão das “startups” e pequenas agências até às grandes empresas do mercado nacional como a Blip.

A motivação no ensino

Voltamos a falar sobre a educação e questionamos o Tiago sobre a forma de motivar os seus alunos e a forma de eliminar os entraves para o foco nas aulas.

O Tiago indicou-nos que o facto de ser o único professor da cadeira e a liberdade que daí nasce levou-o ao privilégio de poder definir o programa e os temas abordados, tentando dessa forma motivar os alunos. No entanto indicou-nos que não é fácil gerir as expectativas de um grupo de alunos tão diferente e com objectivos diferentes para o curso, desde pessoas que querem efectivamente explorar a fundo a área, a pessoas que apenas querem saber desenhar um website e esperam que as ferramentas “WYSIWYG” permitam todo o desenvolvimento.

O Tiago falou-nos do que ocorreu quando dividiu a cadeira em 2 anos. No segundo ano pretendeu desenvolver mais os conhecimentos dos alunos e abordar temas mais avançados, como algum php simples, esta primeira abordagem na opinião do Tiago correu mal, existiam pessoas com expectativas diferentes quanto ao que queriam aprender.

Uma abordagem diferente à educação (Golden Coconut Award)

Depois do primeiro ano “difícil”, o Tiago resolveu aplicar o conceito de “gamification” às suas aulas e apoiado num projecto sobre o qual teve contacto na Áustria o “Golden Pineapple Award” criou o “Golden Coconut Award”.

Este “concurso”, que vai na quarta edição, consiste num semestre de trabalho em equipa, em que os projectos são escolhidos pelos seus elementos e com a orientação do Tiago e o contacto com outros profissionais da indústria, os próprios alunos desenvolvem os seus projectos com toda a liberdade em equipas organizadas com líder, bandeira e blog.

Estes projectos têm um cronograma apertado e muito bem definido, com “check-points” no final de cada etapa. Esta organização é muito similar aquilo que vão encontrar no mercado de trabalho.

As ideias são avaliadas pelo Tiago e por outros profissionais da indústria, o que acaba por motivar os alunos e fazer com que os projectos tenham aplicabilidade no mercado real.

Todo este processo, cria uma experiência valiosa para a entrada no mercado, assim como uma lista extremamente valiosa de “soft skills” que não podem ser ensinadas numa aula tradicional.

A passagem da TPWD para a Surreal

Voltando ao outro lado da vida profissional do Tiago, questionamos sobre o processo de passagem da TPWD para a Surreal.

O Tiago indicou-nos que conheceu a direcção da Surreal numa visita dos mesmos a Portugal para uma possível iniciativa de recrutamento. A Surreal já tinha algum negócio em Portugal e estava à procura de profissionais nacionais para acompanharem esses projectos e também como forma de “devolver” um pouco à nossa economia.

Esta reunião tinha como objectivo o Tiago sugerir alunos para esta “experiência internacional”, depois da reunião e de ter sido falado sobre a experiência profissional do Tiago, a Surreal sugeriu, que melhor do que abrirem uma filial, seria absorverem a TPWD e aproveitar os seus conhecimentos para uma parceria de sucesso.

A Surreal tem um posicionamento diferente da anterior TPWD, atua em mais áreas para além do digital, e assenta na definição de estratégia global de comunicação para uma empresa.

O Tiago indicou-nos que esta experiência está a ser óptima, que existem projectos divididos entre as duas equipas e que funcionam de uma forma fluída, e que a equipa digital da surreal está praticamente centralizada no Porto.

A utilização das ferramentas online, como o basecamp, codebase e os hangouts, facilitam imenso a comunicação entre todos os elementos da equipa e permitem a uma equipa dividida em dois países trabalhar de uma forma unida em projectos comuns.

Indicou-nos também que uma das grandes vantagens da Surreal e da sua equipa é a velocidade de resposta às solicitações dos clientes.

Perguntas Rápidas:

  • Expectativas para os próximos 12 meses a nível de web?

    • Para o Tiago estamos numa fase em que temos de solidificar muito bem o responsive web design e que se vai verificar um declínio nas ferramentas de CMS.
  • Qual a app mobile que não dispensarias?

  • Qual a ferramenta de desenvolvimento mais indispensável para o teu dia-a-dia?

    • Git
  • Um podcast ou livro fundamental?

    • O Tiago indicou-nos um livro que leu recentemente “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas” – Dale Carnegie
  • Sugestão de próximo convidado

    • Igor Pascoal (Interaction Designer na Surreal)

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